Autoconfiança e autoestima: como orientar os pais - Escola de Psis (2022)

Alertar os pais sobre a importância de estimular a autoconfiança e a autoestima da criança. Esse é o pilar principal de uma orientação adequada para a educação dos filhos – por isso, é fundamental que nós como terapeutas saibamos com precisão o que essas duas palavras significam.

Apesar de parecidas, ambas não são a mesma coisa. A autoestima refere-se ao sentimento de bem-estar, de se amar, de estar bem consigo mesmo. Na infância, esse sentimento é construído quando os adultos que cuidam da criança gostam dela de maneira genuína.

“Se a criança tiver ao menos uma pessoa na vida que mostre este caminho para ela, toda diferença será feita”, explica a psicóloga Ana Paranzini. A autoestima é solidificada dia após dia e, nas crianças, está associada sempre à validação de outra pessoa.

Já a autoconfiança é o sentimento de conseguir fazer, de sentir que dá conta. A criança enxerga por conta própria que determinada atitude dela promoveu alguma mudança positiva. Isso a faz admitir para si mesma que ela é capaz de transformar pelo menos algumas características do seu entorno.

É um sentimento que não demanda necessariamente a validação de alguém: é fruto da própria ação do indivíduo. Mas, claro, a autoconfiança é incentivada também pelo comportamento dos adultos. “Um dos segredos para a felicidade é você ser quem você nasceu para ser. Quem tem que gostar do meu jeito sou eu. Você vai gostar de mim, ou não, se você gostar do meu jeito”, argumenta Ana.

Depois de estudar muita teoria e vivenciar uma série de situações na prática, compilamos aqui na Escola de Psis dez pontos que consideramos importantes na construção da autoestima e da autoconfiança infantil.

Por se tratar de sentimentos, ambas podem e devem ser estimuladas pelos pais e demais adultos responsáveis.

Autonomia

É a base da autoconfiança. Ela faz com que a criança adquira controle sobre o próprio comportamento e sobre as consequências do que faz, de forma que não dependa tanto da validação de outras pessoas.

Ela pode ser incentivada desde quando a criança é muito pequena. Quando a mãe ensina a criança a segurar a mamadeira, por exemplo. Ou quando a criança consegue encaixar sozinha uma peça em um brinquedo.

Sempre é necessário reforçar a conquista. Por isso, oriente os pais a comemorar as pequenas vitórias dos filhos. “Depois, a própria criança vai vibrar com o que conseguiu fazer, promovendo o auto reforço e a validação daquilo que ela mesmo conquistou”, diz Ana.

Quando, na queixa, os pais apontam que o filho é inseguro, tem muito medo, não se arrisca, ou evita fazer coisas sozinho, a terapeuta deve logo de início se atentar para os níveis de autonomia que a família dispensa à criança. É muito provável que isso esteja sendo negligenciado.

Conheça o universo da criança

Estudos de diversos pesquisadores detectaram que existem marcos no desenvolvimento infantil, que servem de parâmetros para que os adultos saibam se a criança desenvolveu determinada habilidade no tempo adequado.

Esses marcos não são rígidos, tampouco deterministas, mas são guias que devem ser usados para se saber o que uma criança é ou não capaz de fazer em certa idade.

Muitos pais não têm conhecimento sobre essas etapas e podem achar que tudo é um problema. Não é assim; para tudo há seu tempo. Uma criança de 3 anos, por exemplo, está em plena fase de descoberta e exploração do mundo – e tem um limiar de concentração muito baixo. Aos olhos dos pais, isso pode parecer sinal de hiperatividade.

Há um livro muito interessante sobre o assunto que indicamos: O Cérebro da Criança, de Daniel J. Siegel e Tina Payne Bryson (Ed. Casa das Letras).

Escolhendo as batalhas

Educar exige tempo, dedicação e superação constante de obstáculos. Por isso, se os pais ficarem tentando corrigir a criança o tempo todo, vai ser briga o dia inteiro!

Assim, oriente-os a relevar algumas circunstâncias que não são tão importantes para o desenvolvimento e formação do caráter da criança. Há características que são próprias do indivíduo e que não precisam de intervenção.

Por exemplo: de que adianta brigar com seu filho se, mesmo em um dia de muito calor, ele quer usar galochas? A mãe ou o pai podem até sinalizar que está quente, mas se a criança julga que vai se sentir melhor assim, não insista. Deixe que ela assuma as próprias decisões e seja quem de fato é.

Assuma seus erros

Oriente pais e mães a pedirem desculpa. Quando eles fazem isso, estão servindo de modelo para a criança e não demonstrando fraqueza, como alguns pensam. Pelo contrário.

Mãe e pai precisam mostrar para os filhos que são seres humanos, que erram e são capazes de reconhecer isso. Isso os retira de um pedestal inatingível sobre o qual as crianças já tendem a colocá-los.

Como modelo, isso também mostra que podemos errar em nossas atitudes – e que falhar faz parte. Ainda assim, devemos seguir adiante: se eu acerto, comemoro; se erro, aprendo. Tal comportamento dos pais auxilia a criança a fazer coisas que ela poderia evitar por medo de errar.

Ajudando a criança a enfrentar os medos

Ver o filho com medo é doloroso para os pais, que muitas vezes acabam criando barreiras artificiais para que a criança não vivencie situação alguma que provoque tal sentimento. Agindo assim eles estão, infelizmente, se autoiludindo.

É preciso orientar a família de que o medo sempre vai existir e surgir, vez ou outra; o problema é quando ele se torna constante e impeditivo. Se isso já acontece, é preciso cuidar e recorrer à ajuda profissional o quanto antes.

Os pais precisam, primeiro, validar os sentimentos da criança. Ou seja, têm de reconhecer que aquele medo que ela expressa é verdadeiro, e não o minimizar. Depois que o sentimento é acolhido, são necessárias pequenas atitudes de encorajamento – respeitando sempre, claro, os limites da criança.

Tornar o cenário mais previsível, descrevendo o que está para acontecer, também é de grande auxílio para a redução do medo.

Não critique o que a criança faz

Há pais que são muito críticos, querem estar sempre no controle e, com isso, acabam podando a iniciativa e a autoconfiança dos filhos.

Não critique: eduque, oriente, saiba por que a criança gosta de determinada coisa ou tem este ou aquele comportamento. Ajude-a a construir os próprios pensamentos, fazendo com que ela se torne agente diante daquilo que se propõe a fazer.

Oriente os pais a transformar rompantes de crítica em momento de aprendizado, de estar junto, auxiliando a criança a tirar as próprias conclusões.

Não faça comparações

Há famílias que fazem comparações acreditando que irão motivar a criança a fazer sempre o melhor. Na verdade, o resultado acaba sendo o contrário. Ela fica com raiva e frustrada por não ser reconhecida como boa o bastante. Nem mesmo nós adultos gostamos de ser comparados. Ao fazer isso com nós mesmos, em geral nós nos depreciamos, nos colocamos no chinelo!

Por isso, ensine os pais a não comparar, em especial uma criança com a outra, um filho com o outro. A gente precisa se comparar com a gente mesmo – e com uma boa dose de amor envolvida nisso.

Tempo de qualidade

É simples: pais que param para brincar e oferecem carinho e afeto demonstram que amam seu filho. Amor não é algo que deve ser guardado (ou reprimido) dentro de si.

A criança vai se sentir validada e capaz de enfrentar as dificuldades de cabeça erguida, sabendo que tem respaldo e não está sozinha.

Além disso, ao brincar com a criança, ela sente que seu universo próprio é fortalecido, de que a maneira com que ela interage consigo e com as pessoas tem retorno. É ainda o momento ideal para os pais se conectarem profundamente com os filhos.

Autocuidado

Como cada integrante da família está cuidando de si mesmo? São adultos que conseguem dedicar uma hora que seja para algo que gostam de fazer?

É muito importante que os pais tenham ou desenvolvam o autocuidado. Que, além de apreciarem da companhia um do outro, gostem de estar consigo próprios. Ou seja, que ao estarem sozinhos a solidão não seja um desconforto e sim um prazer.

Um adulto autoconfiante ensina esse sentimento com propriedade. Por isso, você como terapeuta, precisa observar se os pais também não têm este déficit.

Ensine as crianças a comemorar as pequenas vitórias

Nós, como psicólogas, devemos fazer isso: ensinar nossos clientes a festejar cada conquista. E, claro, também temos de orientar os pais a fazer isso com seus filhos.

Vivemos em uma sociedade muito crítica, com alta cobrança por desempenho e centrada no resultado. Muitas vezes recebemos um feedback positivo somente no final de uma árdua tarefa.

Não deve ser assim. É preciso que os adultos olhem e celebrem cada pequeno avanço em suas próprias vidas – e ensinem isso às crianças. Com o tempo, elas mesmas vão reconhecer o que fazem de bom e promoverão o auto reforço.

E a terapeuta?

Se você, terapeuta, não cresceu em um ambiente que estimulava a autoconfiança e a autoestima, calma. Não é preciso se desesperar, regredir à infância ou entregar os pontos do seu equilíbrio emocional!

Recomendamos que você faça uma supervisão ou mentoria com outro profissional de psicologia.

Certamente ele vai ajudar você a desenvolver ambos os sentimentos, fortalecer seus próprios repertórios e fazer você se sentir melhor. Com isso, você também será capaz de orientar os pais que também trilham este caminho. Certo?

Conheça a Escola de Psis

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Idealizada pelas psicólogas Ana Paranzini (CRP 08/09142) e Priscila Ribeiro Manzoli (CRP 06/83052), a Escola de Psis oferece capacitação para psicólogos e estudantes de Psicologia, com cursos voltados para o atendimento de crianças, adolescentes e orientação de pais.

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Author: Pres. Carey Rath

Last Updated: 01/13/2023

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