Doença do refluxo gastroesofágico: sintomas, causas e como tratar (2022)

O que é Doença do refluxo gastroesofágico?

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) (CID 10 - K21) é uma doença digestiva em que os ácidos presentes dentro do estômago voltam pelo esôfago ao invés de seguir o fluxo normal da digestão. Esse movimento é conhecido como refluxo e irrita os tecidos que revestem o esôfago, causando os sintomas típicos como azia, tosse e dor no peito.

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Causas

Quando uma pessoa come, a comida passa da garganta para o estômago através do esôfago. Uma vez que a comida está no estômago, um anel de fibras musculares impede que o alimento se mova para trás, em direção ao esôfago. Essas fibras musculares são chamadas de esfíncter esofágico inferior (EEI).

Se o esfíncter não fechar bem, tudo o que a pessoa comeu, bebeu e até mesmo o suco gástrico usado na digestão pode vazar de volta para o esôfago. Isso é chamado de refluxo gastroesofágico. A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é definida pela presença do refluxo gastroesofágico associada a sintomas ou complicações.

Entre as causas pode-se citar:

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  • Hérnia de hiato
  • Hipotonia do esfíncter esofagiano inferior
  • Perda da peristalse do esôfago (contrações musculares coordenadas para conduzir o alimento para o estômago)
  • Aumento da secreção gástrica
  • Aumento da pressão intra-abdominal
  • Estômago muito cheio por tempo prolongado.

Sintomas

Alguns sintomas são característicos da doença de refluxo gastroesofágico. Veja:

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  • Azia
  • Dor no peito
  • Regurgitação
  • Tosse seca
  • Rouquidão
  • Dor de garganta
  • Náusea após refeições
  • Afta
  • Pigarro
  • Sinusite
  • Otite
  • Sensação de "bolo na garganta"
  • Erosão dentária.

Uma pessoa diagnosticada com DRGE pode ter a sensação de que o alimento pode ter ficado preso na garganta e pode sentir os sinais da doença aumentar ao se curvar, inclinar para a frente, ficar deitado ou comer. Os sintomas também costumam ser piores à noite e podem ser aliviados com antiácidos.

Diagnóstico

Nem sempre é necessária a realização de endoscopia digestiva alta em todos pacientes com DRGE. Em pessoa jovens, com sintomas sugestivos de refluxo e na ausência de sinais de alarme (dor ou dificuldade para engolir, anemia, emagrecimento, vômitos importantes e história de câncer na família), pode-se optar por realizar tratamento empírico, com medicamentos e dieta, por até oito semanas e observar se há remissão da doença.

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Caso não seja obtida a cura, exames complementares como a endoscopia digestiva alta devem ser feitos a fim de avaliar a gravidade da doença e excluir alterações mais graves como úlceras, estenose, esôfago de Barrett e câncer.

O refluxo de ácido para o esôfago também é um critério bastante utilizado para fazer o diagnóstico. Para medi-lo, o especialista usará um medidor que será inserido no interior do esôfago do paciente. Este medidor verificará a quantidade de ácido presente no tubo, enviando as respostas para um computador. Este exame é conhecido como phmetria esofagiana.

Podem ainda ser necessários outros exames como a esofagomanometria (para estudar a motilidade esofagiana e o tônus do esfíncter esofagiano inferior) e a impedanciometria esofágica (detecta inclusive o refluxo não ácido pela medida das variações na resistência elétrica dentro do esôfago).

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Fatores de risco

Alguns fatores são considerados de risco, pois aumentam as chances de uma pessoa apresentar a doença do refluxo gastroesofágico:

  • Obesidade
  • Gravidez
  • Hérnia de Hiato, em que parte do estômago se move acima do diafragma
  • Tabagismo
  • Asma
  • Diabetes
  • Atraso no esvaziamento do estômago
  • Esclerodermia e outros distúrbios do tecido conjuntivo
  • Uso de certas medicações como betabloqueadores, broncodilatadores, bloqueadores dos canais de cálcio para pressão arterial alta, agonistas dopaminérgicos, sedativos e antidepressivos tricíclicos
  • Alimentação: chocolate, pimenta, frituras, café e bebidas alcoólicas estão entre os itens que, se consumidos em excesso, podem contribuir para o refluxo.

Na consulta médica

Procure um especialista assim que surgirem os primeiros sintomas. Muitos deles podem ser confundidos com sintomas de outras doenças, então é importante que um médico avalie o seu quadro para dar o diagnóstico preciso, visando não só a resolução das queixas, mas a prevenção ou acompanhamento de possíveis complicações como úlceras, estreitamentos do esôfago e adenocarcinoma.

Chegando à consulta, descreva todos os seus sintomas e aproveite para tirar todas as dúvidas. Veja exemplos do que você pode perguntar ao médico:

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  • Que tipos de exames serão necessários para realizar o diagnóstico?
  • A doença do refluxo gastroesofágico é temporária ou crônica?
  • Haverá restrições à minha dieta?
  • Será necessário realizar uma cirurgia?
  • Quanto tempo em média dura o tratamento?

O especialista também deverá lhe fazer algumas perguntas, como:

  • Quão intensos são os seus sintomas?
  • Os sintomas são ocasionais ou contínuos?
  • Os sintomas costumam piorar durante a noite?
  • Você sente-se mal após as refeições?
  • Quando que os sintomas começaram?

Tratamento

De acordo Anna Carolina Hoff, cirurgiã geral e especialista em endoscopia digestiva, o tratamento clínico é realizado através de várias medidas que podem ser tomadas para aliviar os sintomas causados pela doença do refluxo gastroesofágico, como:

Saiba mais: Endoscopia: tire nove dúvidas sobre o exame que detecta refluxo e gastrite

  • Erguer a cabeceira da cama
  • Evitar medicamentos e alimentos que aumentam o acúmulo de ácido
  • Perda de peso
  • Não comer pelo menos 3 horas antes de dormir
  • Não fumar
  • Evitar consumir alimentos à base de vinagre
  • Evitar bebidas ácidas, como suco de laranja e refrigerantes a base de cola
  • Diminuir ou parar o consumo de café

A especialista explica que, em uma pessoa saudável, existe uma válvula natural entre o esôfago e o estômago que forma uma barreira física entre eles, impedindo que os fluidos do estômago refluam para o esôfago. Quando existe a presença da doença do refluxo gastroesofágico crônica, essa válvula se torna disfuncional.

Cirurgias anti refluxo, como a fundoplicatura de Nissen, são usadas em casos selecionados, considerando idade do paciente, sintomas, complicações possíveis e características anatômicas e funcionais do esôfago. Esse procedimento, normalmente feito por via laparoscópica, consiste em envolver o esôfago com a parte do estômago que está mais próxima e costurar esse fundo gástrico ao redor do esôfago distal, formando uma válvula antirrefluxo.

Apesar de a mortalidade associada à cirurgia ser inferior a 1%, até um quarto dos pacientes apresenta sintomas no pós-operatório, como dificuldade de engolir e sensação de distensão no estômago, com dificuldade de arrotar. Além disso, após um período de 10 anos, a maioria dos pacientes volta a usar medicamentos para o tratamento da DRGE.

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Atualmente, uma nova tecnologia está entre as possibilidades de tratamento da doença. Recentemente aprovado pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), o dispositivo Esophyx é uma alternativa minimamente invasiva e sem cortes, implantado pela boca, realizado em regime ambulatorial. Segundo Anna, a cirurgia apresenta resultados semelhantes ao procedimento tradicional, só que com menos efeitos colaterais e maior eficácia, reparando a válvula danificada pela doença ao envolver o Esophyx no esôfago, restaurando a anatomia natural do órgão.

Medicamentos

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes. Como possuem indicações precisas e efeitos colaterais que incluem diarreia, vômitos, pólipos gástricos, hipomagnesemia, aumento no risco de infecções gastrointestinais e pneumonias, o uso de medicamentos deve ser feito apenas com prescrição médica.

Os antiácidos agem tamponando diretamente o ácido presente no estômago e têm como efeito colateral mais comum a alteração do hábito intestinal. Tem rápido início de ação, mas o efeito apresenta curta duração. Usualmente são administrados após as refeições.

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Os antagonistas H2 (como a ranitidina) e os inibidores de bomba de prótons (omeprazol, por exemplo) inibem a produção de ácido, tendo um tempo de ação mais prolongado que o dos antiácidos. Seus efeitos adversos incluem cefaleia, diarreia, constipação, alteração de eletrólitos e risco aumentado de gastroenterite e pneumonia.

Os procinéticos aceleram a velocidade com que o alimento é transferido do estômago para o duodeno. Entre os efeitos adversos podemos citar alterações neurológicas, hormonais e arritmias cardíacas, de forma que se deve ter cuidado com interações medicamentosas e com certos grupos de pacientes mais susceptíveis a esses efeitos colaterais, como crianças e idosos.

Os medicamentos mais usados para o tratamento de alguns sintomas da doença do refluxo gastroesofágico são:

  • Dexilant
  • Digedrat
  • Digesan
  • Digestil (comprimidos)
  • Digestil (gotas)
  • Domperidona
  • Esomeprazol Magnesio
  • Omeprazol
  • Bromoprida
  • Label
  • Lansoprazol
  • Motilium
  • Nexium
  • Pantoprazol
  • Digeplus
  • Rabeprazol
  • Trimebutina
  • Ondansetrona
  • Luftagastropro
  • Magnésia bisurada
  • Droxaíne
  • Simeco Plus.

Prevenção

Manter um peso saudável e fazer visitas frequentes ao médico é uma boa forma de prevenir não só a doença do refluxo gastroesofágico, como também outras doenças do trato digestivo. Evitar o fumo e o consumo excessivo de bebidas alcóolicas também pode ajudar a impedir a doença.

Convivendo (Prognóstico)

Quando se encontram fatores causais para a DRGE e estes são resolvidos, pode-se "curar" a doença. No caso da obesidade, a perda de peso pode resolver o problema. Quando o refluxo é causado pela gestação, ao término desta é provável que os sintomas parem. No caso da hérnia de hiato e hipotonia do esfíncter esofagiano inferior, a cirurgia pode eventualmente curar o paciente.

Caso esteja associado a medicamentos como betabloqueadores, broncodilatadores, bloqueadores dos canais de cálcio, agonistas dopaminérgicos, sedativos e antidepressivos tricíclicos, o plano terapêutico deve ser revisto por um médico. No caso de gastroparesias após infecções, o retorno da contratilidade normal do estômago tende a cessar a enfermidade.

Nos demais casos, a DRGE é uma enfermidade crônica, de forma que o objetivo do tratamento não visa a cura da doença, mas sim o controle dos sintomas e a prevenção de complicações como úlceras, estreitamentos do esôfago e câncer.

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A maioria das pessoas responde a medidas não cirúrgicas, como mudanças no estilo de vida e medicamentos. No entanto, vários pacientes precisam continuar tomando remédios para controlar os sintomas.

Os médicos recomendam algumas práticas para ajudar na recuperação e no tratamento:

  • Manter uma dieta sempre saudável e balanceada
  • Evitar usar roupas muito apertadas
  • Evitar o consumo de alimentos e bebidas que possam contribuir para um quadro de azia, como álcool, cafeína, bebidas gasosas, chocolate, frutas e sucos cítricos, refrigerantes, tomates, molhos de tomate, alimentos picantes ou gordurosos, menta e hortelã
  • Alimentar-se a cada 3 horas com refeições menos volumosas
  • Comer devagar
  • Não deitar-se após as refeições
  • Dormir com a cabeceira da cama elevada em 15 a 18 cm, permitindo que o material refluído para o esôfago retorne prontamente ao estômago
  • Evitar o fumo e o consumo exacerbado de bebidas alcoólicas
  • Beber muita água no intervalo entre as refeições
  • Reduzir o estresse.

Complicações possíveis

Se não for tratada, a doença do refluxo gastroesofágico pode causar problemas mais graves para o paciente, como:

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  • Esôfago de Barrett (uma alteração no revestimento do esôfago que pode aumentar o risco de câncer)
  • Broncoespasmo (irritação e espasmo das vias respiratórias devido ao suco gástrico) e asma
  • Fibrose pulmonar
  • Tosse ou rouquidão crônica
  • Problemas dentais
  • Úlcera esofágica
  • Inflamação do esôfago
  • Infecções de vias aéreas superiores como sinusite e otite
  • Estrangulamento (um estreitamento do esôfago devido à cicatrização da inflamação).

Referências

Ministério da Saúde

Federação Brasileira de Gastroenterologia

Leonardo Peixoto, gastroenterologista da Federação Brasileira de Gastroenterologia

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Author: Fr. Dewey Fisher

Last Updated: 11/29/2022

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